Continuação: Kodansha Pós Graduado de Judô
Após algumas palestras em relação às obrigações e funções dos professores houve comentários como:
“Para ser professor tem que ser psicólogo?”;
“Para ser Kodansha é necessário ter curso superior?”;
“Quer dizer que o professor de Judô precisa ter curso de nutrição para falar de alimentação?”;
“Vou ter que tirar curso de boas maneiras?”;
“Sou obrigado a ter curso de Educação Física para planejar treinamentos”?
“Ele não vai encontrar professores dentro deste perfil que ele está dizendo”;
Realmente é difícil encontrar professores dentro deste perfil. É preciso também que os professores se preparem, estudem, pesquisem e passem estes conhecimentos adiante e tenha a consciência de que a graduação é realmente merecida, chego à conclusão de que temos muitos graduados inclusive Kodanshas despreparados e que precisam passar por uma reciclagem ou vamos continuar com esta classe cada vez mais banalizada.
Não é apenas cumprir a carência e achar que merece a indicação para Kodansha. Muitos não entendem que a graduação de 5º Dan já é uma alta graduação e bastante respeitável. Ser Kodansha é uma responsabilidade muito grande e exige uma preparação constante e interminável.
Muitos Kodanshas que tiveram uma boa orientação e que possuem o verdadeiro espírito de judo-ka ao tomarem conhecimento do que significa ser um Kodansha e suas obrigações, certamente eles sentirão vergonha, pois verão que não estão cumprindo integralmente suas atribuições.
E estes Kodanshas que não possuem ainda todas as qualificações necessárias para essa graduação devem fazer uma reflexão sobre o exposto. Mesmo a crítica sendo feita a eles, não podem negar que o que foi dito é a verdade.
Mas o que se vê atualmente é a deturpação desse símbolo do Judô, que é a faixa vermelha e branca ou a totalmente vermelha. A banalização dessa graduação que deveria ser uma honra concedida apenas para aqueles que realmente a merece. Prova disso são os inúmeros “Kodanshas” que não conseguem cumprir com requisitos básicos para ostentar tal graduação. Desconhecem a história do Judô, seus aspectos teóricos, os fundamentos técnicos, etc.
Estes Kodanshas não possuem o dom indispensável necessários não só para Kodanshas, mas também para todos os faixas pretas, que é o de ensinar, transmitir e perpetuar a prática do Judô em sua essência assim como o mestre Jigoro Kano idealizou como prática da educação física e em seus aspectos ético e moral, formando homens de valor e úteis a sociedade em que vivem.
Muitos dos pretendentes à promoção se utilizam de um argumento que pode ser considerado de menor importância para suas pretensões, que é a carência de registro na Federação e Confederação.
Muitos deles simplesmente desconhecem as duas formas de se sentar em uma academia (dojô - local iluminado; sagrado) ou shiai-jô (área de competição), também não sabem nem mesmo definir o termo Judô, desconhecem a filosofia do Judô quando pulam um gradil, quando torcem pelo seu atleta aos gritos, e comemoram a vitoria como se estivesse num estádio de futebol, dando instruções em espaço proibido perto da área e sendo expulso do local, é realmente lastimável.
MESTRES DE JUDÔ E CATEDRATICOS
Não posso deixar de citar Kodanshas que realmente são dignos da graduação que exercem. Professores que antes de serem professores foram atletas competidores de primeira linha. Atuaram como árbitros, e hoje são grandes formadores de novos atletas e principalmente novos homens, muitos com curso superior e com mestrado, como os companheiros do Conselho Nacional de Grau Chuno Mesquita e Yoshihiro Okano, que estão a todo o momento colaborando para o crescimento do Judô, comandando seleções, organizando eventos, ministrando cursos em clubes, escolas e universidades, coordenando os mais diversos trabalhos etc., Isso porque realmente detém notório conhecimento técnico e merecem todo o respeito. Atitudes austeras e rígidas são necessárias para que possamos reverter este triste quadro em que se encontra o Judô Brasileiro.
MESTRE ODAIR BORGES
Podemos citar outro exemplo de Kodansha, o Prof. Odair Borges que foi um grande competidor, vencendo grandes judokas, conquistando títulos nacionais e internacionais e para o seu aperfeiçoamento participou de um estágio de um ano na Kodokan como único representante do Brasil, estudou obtendo o título de mestrado em Educação Física, ministrando aulas na universidade. Em sua academia particular formou grandes atletas e alunos Kodanshas. Publicou artigos, ministrou palestras e pode ter certeza que está em condições de demonstrar qualquer técnica na prática.
CAMPEÃO OLIMPICO
Quando ofereceram a um grande Campeão Olímpico a graduação de Kodansha, ele recusou, dizendo que: “enquanto meu sempai Carmona e Cunha não forem promovidos, eu não aceitarei tal promoção”. Quando o praticante adquire de fato o espírito de judoka como este grande campeão, ele está demonstrando toda a sua atitude e todo o seu entendimento de um judoka consciente de seus direitos e de suas obrigações.
PORQUE DA MINHA PREOCUPAÇÃO
Observem quantos judokas ostentam a graduação da faixa vermelha e branca e nunca foram competidores, nunca formaram um atleta de nível e nem apresentaram um trabalho teórico ou didático que possam ser apreciados ou ter destaque entre alunos e professores, muitos desses são Kodanshas e somente atuam como árbitro, o que convenhamos, é muito pouco em termos de demonstração de conhecimento de Judô.
Poderíamos citar vários outros exemplos de Kodanshas que não têm as condições mínimas de ostentarem uma faixa vermelha e branca. Porém, a maioria destes Kodanshas não demonstra nenhuma preocupação, e simplesmente amarram a faixa na cintura sem o menor constrangimento. Diante de tantos argumentos temos que entender que o culpado não é ele e sim aqueles que o promove.
DE QUE VALE A GRADUAÇÃO
Os professores que trabalham no ensino do Judô, em sua maioria não entendem que a graduação que ostentam não influi no resultado final de suas aulas ou treinamentos, muito menos na conquista de novos alunos e na admiração dos pais e da sociedade em geral.
Estes professores devem realmente se preocupar com seus conhecimentos de educador e ter o domínio das fundamentações técnica e teórica dos princípios filosóficos do professor Jigoro Kano. Para atuar com sabedoria, confiança e coragem junto aos seus discípulos. É necessário que o professor esteja em constantes estudos e pesquisas nas técnicas do Judô.
De que vale a graduação sem merecimento e sem preparo adequado para honrar a sua graduação.
De que vale a graduação sem ter uma vida bem sucedida profissionalmente e a independência financeira.
De que vale a graduação se não tem capacidade de comparecer nas reuniões para opinar, sugerir e se sentir útil nestes encontros.
De que vale a graduação com poucos alunos e ter que fazer promoções, dar descontos, kimonos e camisetas.
(O Kodansha pode em um determinado momento de sua vida não se preocupar com o lado financeiro, com a quantidade de alunos ou com resultados de competições. Ele pode ter na qualidade de seus estudos sua virtude maior. Nesse caso, um pequeno grupo de alunos pode ser muito mais representativo, mas estes casos são quase nulos.)
De que vale a graduação se dentro de uma academia de Judô ter que incluir outras modalidades com disciplinas e costumes diferentes.
(Atualmente, principalmente nas grandes cidades, a concorrência é muito grande, e apenas uma atividade esportiva é pouco para que um proprietário de academia possa se sustentar financeiramente o professor sabendo separar bem as atividades de aula, não deve afetar o Judô)
De que vale a graduação se cometem erros desconhecendo as normas de Judô
(É grave erros cometidos nas saudações, palestras com atletas de boné, deitados na arquibancada do dojô ou deitado com a Cabeça apoiada no ombro da namorada).
De que vale a graduação se participam em torneios com número reduzido de alunos.
De que vale a graduação se não conseguem avaliar o que vem acontecendo com número de academia que não filiam a Federação, inclusive fechando as portas.
Podemos considerar que existe em São Paulo uma inflação de graduações políticas, que não estão de acordo com os princípios de Jigoro Kano.
Um professor Kodansha consciente de sua posição no meio judoístico tem que prestar contas com aqueles que o admira como tal e servir de exemplo como digno representante dos ideais de Jigoro Kano.
Sobre a graduação de Kodanshas, de acordo com as normas atuais, com tempo determinado para promoções, existem professores graduações que foram promovidos somente pelo tempo e que, ávidos contam os anos, meses e dias para fazer o pedido para a próxima graduação.
Enfim, o tempo se escorre e estamos vendo o Judô se descaracterizar e os dirigentes se preocupando apenas com medalhas.
A prática fiel do Judô Kodokan em sua essência não pode ser vendido por ambições, vaidades ou interesses menores de pessoas que defendem e buscam vantagens pessoais, ou mesmo coletivas, inconsistentes e temporárias.
O Judô precisa resgatar seus valores e filosofia através da seriedade, austeridade e responsabilidade no que tange as graduações e as formas como avaliamos e concedemos a tão importante honra.
Ser Sempai de outro praticante de Judô vai muito além da plástica de ostentar uma faixa preta ou vermelha e branca ou até mesmo integralmente vermelha. Ser sempai requer postura moral e espiritual impecável, necessita de conhecimento técnico e intelectual diferenciado.
Ser Shihan é ter conhecimentos profundos da essência do Judô e ser difusor dos ensinamentos do mestre Jigoro Kano.
A direção e os responsáveis pelo destino do Judô poderiam pensar em investir um pouco mais na formação dos professores e auxiliar inclusive em instruir na melhor forma de administrar uma academia, utilizando parte da verba arrecadada das promoções para este tipo de trabalho, o resultado seria satisfatório com mínimo de gasto.
A direção da Confederação, vem obtendo sucesso em suas decisões, suspendeu as promoções por indicação por mais de três anos, numa atitude corajosa e determinada de resgatar valores dentro do Judô, conquistou grandes resultados que colocaram o Judô Brasileiro entre os três maiores do mundo. Com trabalho sério e competente e acima de tudo com honestidade resgatou todos os valores perdidos, reconquistando a confiança do comitê olímpico, dos governantes, e poderá entrar na história do judô brasileiro como a gestão que conseguiu moralizar também as promoções, principalmente nas classes dos Kodanshas.
As promoções devem continuar, mas que sejam dadas condições e que exijam melhor preparo dos candidatos. Com um pouco de reflexão poderá chegar à conclusão que a coisa é séria.
Somos sabedores de que existem a parte política e outros interesses, mas podemos com inteligência e competência melhorar e respeitar os objetivos do Judô.
Quando uma promoção é indispensável para os interesses do Judô Brasileiro, a CBJ tem o direito de realizar. Mas juntamente com a faixa o aprovado deve receber informações do que significa a graduação de Kodansha e principalmente como se portar como um.
OMISSÃO
A omissão está entre os defeitos e erros mais graves cometido pela sociedade.
A omissão é um ato de covardia, incompetência, irresponsabilidade, etc.
Vemos pessoas se calarem diante de comportamentos anti-sociais, fora das normas ou tendo atitudes desrespeitosas. O ideal seria praticar a política da boa vizinhança.
Se não lutarmos pela manutenção dos valores humanos, nós e os nossos descendentes seremos vítimas da falta deles. Isto é, se não seguirmos os ensinamentos de Jigoro Kano, seus ideais dentro do judô podem acabar.
Reflita melhor sobre seu comportamento.
É comum notar manifestações pelas costas e nos cantos do ginásio criticando ou fofocando, aí pergunto: “O que este indivíduo fez para melhorar ou solucionar os problemas?” Com certeza nada. Isso talvez por falta de preparo ou não querer assumir responsabilidades.
É comum no meio judoistico este tipo de atitude, e assim o judô vem perdendo credibilidade.
Seria interessante todos terem um momento para reflexão como verdadeiros judokas e chegar à conclusão correta de demonstrar toda humildade, termo este muito utilizado no judô.
Saudação inicial
O judô inicia-se com saudação e termina com saudação, gesto este, que significa, respeito, gratidão e humildade. Costumo dizer que é uma das partes mais bonitas do Judô. O cumprimento inicial entre dois participantes já significa: por favor, pratique comigo. E o cumprimento final significa: obrigado por ter sido meu companheiro de prática, por servir-me de “esparring”, por servir-me como adversário. Muitas vezes fico preocupado em ver judocas que não foram orientados da importância do “rei” e deixam de executar de maneira respeitosa e o fazem sem expressão.
A saudação é feita inclinando o tronco reverenciando o outro judoca com respeito, não somente com o movimento da cabeça.
Jô-seki - Deve ser ocupado somente pelo mais graduado, Shiham ou Sensei no local ou seu convidado, obedecendo uma seqüência a partir da direita para esquerda em ordem hierárquica.
Quem comanda o “rei” é o judoca mais graduado e antigo que se encontra na formação de frente ao shomem. Este procedimento é utilizado em reuniões reservadas, em Academias ou no CAT.
Quando em Torneios e Campeonatos realizados em ginásios, onde existe a mesa de honra com autoridades, a saudação deve ser comandada pelo árbitro que ostentar a maior graduação, seguindo a ordem hierárquica: FIJ, NACIONAL, e na ausência destes, quem comanda é o mais graduado.
Convocar determinado árbitro para comandar a saudação inicial só porque colabora com mais freqüência, está fora das normas, uma vez que existe hierarquia e deve ser respeitada. Muitas vezes no encerramento do evento é convocado outro arbitro para o “rei” final, o que não é um procedimento correto e ideal.
Quem comanda a saudação inicial deve finalizar. Não podemos continuar cometendo erros demonstrando desconhecimento das normas tradicionais do judô.
Kodansha
Independentemente de qualquer interesse, os kodanshas que compõem uma comissão devem realizar um trabalho em conjunto unindo as forças e com a concordância da equipe alcançar seus objetivos de maneira eficiente.
Seria ideal convocar e escalar “kodanshas” nas bancas para exames de graduação, uma vez que temos em São Paulo grande números de 6° a 8° Dans. Fazer parte da banca examinadora graduações inferiores, como 4° Dan significa desprestigio aos “kodanshas”. Seria demonstrar que um 4° Dan está mais preparado do que o “kodansha”, fugindo também das normas de hierarquia do judô.
Arbitro
A função de um árbitro é de suma importância, pois dentro da área de competição é a autoridade máxima, imagem esta que não deve ser desrespeitada.
Naturalmente que como em qualquer área temos profissionais pouco qualificados, mas a grande maioria merece respeito pela seriedade e atuação impecável e responsável, com a paciência necessária para cumprir sua função até o “rei” final. Ser arbitro é uma tarefa nada fácil, pois, devido a longa duração dos eventos é primordial a concentração, conhecimento do judô, paciência e preparo físico e emocional.
A figura do árbitro é fundamental em qualquer atividade esportiva até porque sem árbitro não tem competição.
Arbitragem
Todas as criticas ou observações feitas mesmo com boas intenções sempre ofende alguém. Mas quando os árbitros foram ofendidos por um atleta que se sentiu prejudicado em Campeonato, divulgou pela internet o artigo “Desabafo de um Judoca”, ninguém entre os árbitros do país, se manifestou em defesa dos mesmos. Somente a comissão de graduação da FPJ divulgou uma resposta.
O arbitro com intenções de alcançar nível nacional e internacional, precisa ser mais atuante tecnicamente, e se dedicar com maior participação nos cursos de padronização e aperfeiçoamento técnico. Acho que deve receber sim, sua gratificação, pois deixam suas famílias, doam seu tempo, tem despesas com combustível, pedágio estacionamento além do desgaste físico e mental. Porem é preciso de quando em quando se doar participando dos encontros e reuniões técnicas, procurando não justificar que devido a arbitragem não podem participar (Kodansha) para discutir melhorias e interesses do Judô Paulista e Nacional, mesmo por que, essas reuniões são esporádicas, e de uma forma ou de outra sempre proveitosas.
Pelo conhecimento do judô e grande experiência como competidor a nível internacional os ex-atletas de seleção poderiam atuar como árbitros oferecendo grande colaboração a arbitragem brasileira, como ocorre em outros paises.
Somos sabedores de que os atletas brasileiros ás vezes perdem oportunidades profissionais durante a sua vida como competidor e precisam recuperar esse tempo dedicado ao Judô. Mesmo assim esta contribuição seria interessante para o quadro de estadual, nacional e internacional de árbitros.
KODANSHA - PÓS GRADUADOS DE JUDÔ
I – O QUE É PÓS GRADUAÇÃO?
Pós Graduação é o APERFEIÇOAMENTO do indivíduo dentro da sua área de atuação.
Uma pessoa pós-graduada se preparou estudando, pesquisando e principalmente se esforçando para merecer esse título.
Dentre as atividades dos pós-graduados estão as pesquisas, o desenvolvimento e a disseminação dos seus conhecimentos.
II – O QUE É SER UM KODANSHA?
Ser kodansha é ter um nível de pós-graduação dentro do judô. Dado notório conhecimento técnico, filosófico e moral. Portanto é a imagem de uma grande fonte de conhecimentos, ele deve ter a última palavra, o porto seguro e, para isso, sua liderança deve ser estabelecida naturalmente pelo seu carisma e sabedoria, conquistando assim o respeito e admiração de todos.
É considerado mestre (shihan) porque detém maior conhecimento técnico, dispondo de imagem inabalável, dada sua conduta impecável perante a sociedade. É símbolo de dedicação, persistência, caráter, honra, honestidade e sabedoria.
Deve ser o modelo a ser seguido, já que sua posição é de perpetuador dos ensinamentos do mestre Jigoro Kano e representante da kodokan.
SER REPRESENTANTE DA KODOKAN É FAZER PARTE DO CONSTANTE APERFEIÇOAMENTO DO JUDÔ IDEALIZADO PELO MESTRE. TEM COMO PAPEL, PERPETUAR OS ENSINAMENTOS ATRAVÉS DA FORMAÇÃO DE SEUS DISCÍPULOS.
JIGORO KANO, ao observar os primeiros alunos promovidos à 6º Dan, notou um diferencial muito grande em relação aos demais praticantes: nas atitudes, no comportamento, na formação moral, no domínio dos conhecimentos e na pedagogia.
Ele disse: “estou criando a categoria denominada de kodansha de 6º a 10º dan, e estes devem ESTUDAR e PESQUISAR cada vez mais, aperfeiçoar e aprofundar nos conhecimentos culturais, intelectuais globalizados voltados a interação do judô com a sociedade, ISTO É FILOOSOFIA DE JUDÔ”.
Os judokas com essa formação terão a denominação de SHIHAN.
Portanto, os kodanshas são considerados PESQUISADORES E PROFESSORES, e devem agir como tal. Buscando sempre mais sabedoria e aperfeiçoamento.
Mesmo atingindo um alto grau de aperfeiçoamento dentro do judô, o kodansha permanece em constante aprendizado.
III – O QUE SE ESPERA DE UM KODANSHA?
1 – Deve ser atuante no que se refere a treinamentos e aulas;
2 - Passar adiante os seus conhecimentos e experiência de vida;
3 – Demonstrar e ensinar técnicas de forma correta com atenção aos detalhes, inclusive conhecendo os porquês de cada um dos movimentos, histórias e conceitos fisiológicos;
4 – Formar seus próprios faixas pretas;
5 – Têm a obrigação de formar ao menos um atleta, desde sua iniciação até um nível elevado.
6 – Deve ser uma referência para menos graduados, por isso deve possuir conhecimento geral capaz de, por exemplo:
6.a) Explicar coisas básicas, como o significado da palavra KODAN SHA.
“Durante a uma palestra na FPJ, com participação de mais de 60 kodanshas, pedi para que os mesmos definissem a palavra kodansha. Qual foi a minha surpresa? Odesconhecimento geral, inclusive dos 8º dan. Isto é preocupante, são kodanshas e não sabem o significado do seu título.
6.b) Demonstrar a maioria absoluta das técnicas (inclusive Katas) e o completo conhecimento da filosofia e normas do judô.
“Durante a padronização notamos a dificuldade destes kodanshas, em identificar a diferenciação entre as técnicas: sassae-tsuri-komi-ashi e okuri-ashi-harai, de-ashi-harai e kosoto gari.”
6.c) Ministrar cursos e palestra sobre judô em todas as suas formas.
“Solicitei um rodízio entre os integrantes que compõem a equipe da banca examinadora em exames de graduação, apenas 2 se manifestaram, os demais declararam despreparados para ministrar uma palestra aos candidatos promovidos.”
6.d) Publicar artigos sobre o Judô em geral.
6.e) Organizar eventos.
Todos esperam que os kodanshas sirvam de exemplo, sejam conselheiros e grande conhecedores do judô, podendo assim contribuir de maneira efetiva na perpetuação do conhecimento, tanto técnico, como teórico e filosófico.
IV – PAPÉIS PRINCIPAIS DOS KODANSHAS.
1 - Como shihan
Todo Kodansha deve ser atuante no que se refere a treinamentos e aulas. Uma das mais importantes funções do Pós–Graduado é sem dúvida, passar adiante os seus conhecimentos e experiências de vida. Sendo assim, o Kodansha deve ser um professor responsável, ou orientador ou simplesmente comandar treinamentos mesmo que esporadicamente.
O Kodansha deve saber demonstrar e ensinar técnicas e katas de forma correta e com atenção aos detalhes, inclusive conhecendo os porquês de cada um dos movimentos, histórias, conceitos fisiológicos, etc.
O Kodansha deve formar seus próprios faixas pretos, evitando assim o recrutamento de atletas de outros professores. Um kodansha tem a obrigação de formar ao menos um atleta, desde sua iniciação até um nível mais elevado (acima de San Dan).
2 – Como técnico
O kodansha deve ser capaz de planejar e obviamente ministrar treinamentos em qualquer nível, inclusive em alto nível como de seleções estaduais e nacionais.
O kodansha deve ter uma equipe competitiva e participativa, demonstrando quantidade e qualidade dos seus alunos.
3 - Como pessoa
Todo kodansha deve ter consciência da importância do curso superior para essa graduação. Ao contrário de antigamente, hoje os cursos de graduação (Educação Física, Direito, Economia, Administração) estão muito mais acessíveis. O estudo é fundamental para qualificar o técnico mesmo este sendo um professor esportivo.
É papel de o técnico incentivar os atletas a estudarem tanto quanto treinar, e nada mais apropriado do que o técnico ser o exemplo.
Deve dar exemplo de boa conduta: não fumar ou beber diante dos alunos, principalmente durante os eventos.
“Já presenciei professor kodansha de kimono saindo do local de competição com seus alunos (crianças) com lata de cerveja”.
É comum observar nas lanchonetes dos ginásios onde estão sendo realizados torneios e campeonatos kodanshas com a mesa cheia de lata ou garrafa de cervejas, rindo e falando alto.
Como um kodansha pode falar de bons hábitos se ele bebe, fuma ou tem outros vícios?
Também é muito importante o Kodansha se apresentar de maneira apropriada, manter a barba e cabelos bem aparados e o kimono limpo, alinhado e sóbrio.
Em encontros de professores podemos notar kodanshas de kimono desbotado, com a calça comprida arrastando no tatami, Uwagui pequeno com todo abdômen saliente de fora. Professores com graduação de 8º dan de kimono azul escrito das costas “técnico”, 9º dan com kimono parecendo de um lutador de jujitsu com vários emblemas.
4- Como orientador
É muito importante para o Kodansha ter conhecimento sobre alimentação, da psicologia aplicada, sobre o relacionamento familiar, da pedagogia, da educação e obrigações no lar, enfim, o seu papel de judoista junto a sua comunidade também é de orientar os seus alunos, não só sobre o judô.
V – PROMOÇÃO PARA KODANSHAS
Dito os principais papeis do kodanshas, fica mais fácil saber quem estaria ou não apto de se tornar um. Vimos que as obrigações deles não se restringem ao judô, existe ainda uma parte muito importante na formação de um judoka.
Com tantas qualidades e qualificações a serem exploradas, pesquisadas e aperfeiçoadas pelos kodanshas, muitos se concentram apenas nas questões mais convenientes ou que já possuem certa facilidade em realizar. Ser apenas um excelente árbitro (além de que alguns atuam como árbitro, mais interessados na gratificação e marcar presença para quando cumprirem carência ter direito a promoção) ou ser muito bom em katas, ou só dar cursos teóricos, não qualifica ninguém a ser um kodansha. O kodansha deve estar preparado para ser questionado nas diversas áreas de um esporte tão complexo.
Como podemos perceber claramente, são poucos os que conseguem atender as expectativas da graduação. Por isso, para serem promovidos, pedem a amigos para fazer sua indicação. Também há aqueles que pressionam o seu professor ou delegado regional e até mesmo o presidente de Federação, que muitas vezes, para mostrar o seu prestígio, acabam atendendo as solicitações. Muitos são os casos das autoridades que ficam em situação delicada, pois mesmo sabendo da fraca atuação se sentem obrigados a promover por motivo pessoal, político, etc.
É desejável que todos cumpram com suas responsabilidades para assim terem seus nomes reconhecidos e indicados por merecimento. Dessa maneira o promovido poderá ostentar com orgulho a faixa e será respeitado e admirado pelos demais judokas.
É preciso que algo seja feito agora. O problema da qualificação dos kodanshas é uma bola de neve. Os kodanshas estão cada vez menos preparados e serão esses que ensinarão e julgarão a próxima geração, e assim sucessivamente. Estamos deixando acontecer com o judô o mesmo que acontece com o ensino nas escolas públicas, de tempos em tempos o nível do corpo docente cai, consequentemente os alunos saem das escolas despreparados, sem conhecimento, disciplina ou respeito, enfim, sem conhecer os valores importante na formação do homem.
O kodansha deve realizar bem o seu papel para assim merecer a admiração dos outros professores e consequentemente o reconhecimento, manifestado através de uma indicação à promoção. Por outro lado, existem argumentos que não devem ser usados de forma alguma por professores para justificar uma promoção, por exemplo:
- CUMPRIMENTO DE CARÊNCIA - “Cumpri a carência, tenho direito à promoção porque sempre colaborei como árbitro.”
Carência é muito importante sem dúvida, não se pode promover antes de um tempo mínimo. Mas, mais importante do que cumprir a carência é ver o que foi feito durante esses anos, somente atuar como árbitro é muito pouco.
- PORQUE O PROFESSOR TAL FOI PROMOVIDO – “Eu mereço também”
Cada trabalho é diferente e devem ser analisados de forma distintas, sendo assim, o fato de um professor com a mesma idade e mesma graduação ser promovido, não credenciam os demais.
- PORQUE SOU MAIS ANTIGO E SEMPRE COLABOREI – “Sou mais velho do que ele, quando eu era Go-Dan ele era Ni-Dan”
Existem milhares de casos, não só no judô, que o mais novo supera o mais velho. Às vezes isso acontece pelo fato do mais novo ser extremamente competente, ou por acomodação do mais velhos. A hierarquia da idade deve sempre ser respeitada, assim como deve ser respeitado o bom trabalho e a competência.
- PORQUE QUANDO COMPETIDOR GANHEI DESTE E DAQUELE – “eu ganhei de fulano quando competia”
Estamos falando de kodansha, pessoas pós-graduadas, sem dúvida a parte competitiva faz parte, mas dentro de um esporte tão complexo e rico como o judô, isso é apenas uma pequena parte.
- PORQUE SOU MUITO BOM NISSO – “eu sou o melhor dentro desta área”
O kodansha não pode ser bom em apenas uma coisa, não pode ser apenas um excelente árbitro, ou ótimo no kata, ele deve ser polivalente, pois é isso que os kohais esperam deles. O kodansha deve ser uma referência nos mais diversos assuntos que envolvem o judô.
VI – VALORIZAÇÃO DA CLASSE DOS KODANSHAS
Quanto mais qualificados forem os Kodanshas, mais valorizada será sua classe.
Antes de pedir ou exigir promoções, faça uma auto-avaliação e veja se está dentro do que se espera de uma pessoa de grau superior.
E depois que conseguir a promoção, nunca deixe ostentar sua graduação. Alguns temem aparecer em encontros de professores utilizando sua graduação e serem questionados e não saberem a resposta.
A classe dos Kodanshas não podem passar pela humilhação de comentários como:
“Promoção para kodansha? Nem pensar, depois da promoção de uns aí não quero.
“O cara não sabe nada e é kodansha”.
“Para ser promovido é só ter dinheiro”.
“Eu sei muito mais que alguns kodanshas por aí”
Entre outros
Acho que chegou a hora de todos fazerem uma reflexão, deixar de lado qualquer tipo de vaidade ou interesse pessoal em busca do verdadeiro objetivo do Judô.
VII – PAPEL DAS FEDERAÇÕES E CONFEDERAÇÕES
Todos têm uma parcela de culpa no que se refere à diminuição da qualidade dos Kodanshas. Desde o candidato que almeja uma promoção sem se preocupar em estar preparado, passando pelas pessoas que fazem um “favor” em indicá-lo, até chegarmos em quem aprova esse candidato.
Analisando essa situação podemos dizer que:
-
O candidato pode almejar a graduação mesmo não sendo qualificado;
-
Os conhecidos podem indicá-lo por algum motivo;
-
As autoridades devem impedir que esse candidato seja promovido;
É evidente que a responsabilidade maior é de quem tem o poder maior. A FPJ e a CBJ devem criar os mecanismos para que somente quem estiver preparado para maiores graduações sejam promovidos.
Isso não significa que teremos menos kodanshas, o intuito não é dificultar para o candidato, muito pelo contrário, é criar oportunidades para que eles cresçam dentro do judô e se qualifiquem para a promoção.
Por exemplo, 80% de tudo que falamos que um kodansha precisa ter ou conhecer, pode ser adquirido através de cursos ou palestras. Isso significa que, se uma Federação organiza eventos de reciclagem para os kodanshas, estes estariam muito mais perto do que esperamos de um pós graduado.
Mesmo a CBJ ser o órgão máximo do judô brasileiro e ter a autoridade de promover os kodanshas, deve se preocupar em preservar sua imagem. Para isso deve trabalhar em conjunto com a Comissão de Graus, tornando essa sua parceira. A Comissão deve ter autonomia de filtrar os candidatos à promoção, mas trabalhando a favor dos interesses da CBJ.